As penetras da festa...
- luaemp
- 18 de fev. de 2024
- 3 min de leitura
(Imagem retirada de UaCuida)
Ah, as famosas úlceras de pressão — essas visitantes indesejadas que parecem adorar vir de malas e bagagens para a pele dos idosos e acamados. Mas, espera aí, o que são úlceras e por que elas insistem em aparecer? Bem, vamos tentar fazer um resumo básico e desvendar esse mistério. Imaginem uma festa na pele, onde a “pressão” é a convidada inconveniente que fica tempo demais na pista de dança.
Quando alguém passa muito tempo na mesma posição, seja na cama, na cadeira de rodas, a pressão exercida sobre determinadas áreas do corpo pode prejudicar o fornecimento de sangue a essas regiões. E é aí que as úlceras de pressão entram em cena, como aquelas "pessoas" irritantes que aparecem sem serem convidadas.
As úlceras, também conhecidas como escaras ou feridas de decúbito, são basicamente lesões na pele que se desenvolvem quando o fluxo sanguíneo é comprometido por períodos prolongados. Elas podem surgir em diversas áreas do corpo, incluindo calcanhares, cotovelos, costas, nádegas, tornozelos, orelhas, cabeça e até mesmo na boca, em casos mais raros.
(Imagem retirada de UaCuida)
As úlceras de pressão são classificadas em diferentes estágios de acordo com a sua gravidade e profundidade. A classificação mais comum é a seguinte:
Estágio 1: A pele está intacta, mas pode apresentar vermelhidão, calor ou inchaço. A área pode ser dolorosa, macia, firme ou com uma textura diferente do tecido circundante.
Estágio 2: A lesão afecta a epiderme e parte da derme. Pode parecer um abrasão, bolha ou úlcera superficial. A ferida pode ser dolorosa e apresentar vermelhidão ao redor da área afectada.
Estágio 3: A lesão estende-se até à camada mais profunda da pele, atingindo o tecido subcutâneo. A ferida pode parecer uma cratera ou cavidade, com bordas necróticas (tecido morto). Pode haver dano do tecido em redor da úlcera.
Estágio 4: Esta é a forma mais grave de úlcera de pressão. A lesão afecta todos os tecidos da pele, incluindo músculos, ossos e tendões. A ferida é profunda, com extenso dano tecidual e necrose. Pode haver exposição de estruturas ósseas.
(Imagem retirada de ResearchGate)
É pois, muito importante, particularmente nos clientes que estão acamados ou confinados muitas horas a uma cadeira de rodas ou poltrona, que haja uma cuidada e diária observação da pele, bem como uma boa hidratação, de modo a evitar problemas maiores.
Além disso, prevenir a pressão excessiva por meio de mudanças de posição regulares, manter uma boa higiene da pele — incluindo a limpeza, sem fricção, da área afectada com água morna e sabão neutro; proteger da humidade excessiva com aplicação de creme especial (na Irlanda usa-se muito o Cavilon (creme barreira) ou o Sudocrem —, e adoptar medidas para a cicatrização das úlceras, como a aplicação de gaze gorda e pensos adesivos (de preferência transparentes para permitir a visualização da ferida).
Em casos mais graves, pode ser necessário o acompanhamento de profissionais de saúde, como enfermeiros especializados, para garantir o tratamento adequado.
Podem e devem pedir à OT (terapeuta ocupacional) colchões anti-escara (os de ar, apesar do ruído, são excelentes, pois a cada movimento do paciente, mede e ajusta a pressão), almofadas, lençol deslizante (“sliding sheet” ou “slide sheet”), etc., de modo a satisfazer o bem-estar do cliente e a facilitar-vos a vida. Lembro que na Irlanda tudo isto é a custo zero para o cliente, ok?
Espero que encontrem utilidade neste post e que sirva para
vos ajudar a manter a festa livre dessas convidadas indesejadas.






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