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Laptop On Tray

Sobre mim

"(...) E agora aqui está o meu segredo, um segredo muito simples: Só se pode ver bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos. (...)

― Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho


Dizem que O Principezinho, do qual a citação acima é retirada, é uma obra para crianças. É verdade que da primeira vez que o li, devia ter cerca de oito anos, mas também é verdade que o reli inúmeras vezes desde então, porque para mim é muito mais do que uma história infantil.

É um pequeno tratado poético e existencial que nos ensina a necessidade de olhar para além da superfície para descobrir a verdade e o significado das coisas.

Acredito que só podemos cumprir esses ensinamentos se tivermos uma mente aberta, uma vontade contínua de aprender sobre nós mesmos e sobre tudo o que nos rodeia, cimentando o respeito e a tolerância nos nossos olhares e gestos na tentativa de dignificar a nossa condição de seres humanos.


É tornando este "segredo muito simples" do Principezinho meu, que eu continuo, apesar das coisas menos boas que nos acontecem, a manter leveza na minha vida.

Início: Sobre mim

Pequeno Livro/ Small Book

(Followed by the English version) Há uns dias atrás li um livro pequeno.  O título, Small Things Like These , chamou-me à atenção, talvez pela delicadeza  poética. A autora, uma irlandesa de nome Claire Keegan, era-me desconhe cida. Não é mais. O livro, pelo número de páginas, 115 para ser exacta, ler-se-ia de uma assentada… Entre uma viagem de Dart entre Greystones e Dublin, ou sentada num banco frente ao mar ainda de casaco vestido mas já sem o vento que corta, agreste. Mas

O Ensaio da Luz/The Rehearsal of Light

(Followed by the English version) Desesperados por qualquer raio de sol, os irlandeses contam, ao minuto, o tempo que a luz permanece antes da chegada da noite… As expectativas aumentam à medida que a claridade se deixa ficar entre o verde e as casas… Março não é Verão. É promessa e isso é bonito… Ninguém se ilude, mas todos acreditam um pouco mais. O frio ainda morde, a chuva continua a cair sem pedir licença, mas há qualquer coisa no ar que garante que o Inverno já partiu…

S. Patrício: A Ironia Irlandesa/ St. Patrick: The Irish Irony

(Followed by the English version) Se hoje víssemos S. Patrício a percorrer as ruas no dia 17 de março, cercado de chapéus verdes, cervejas tingidas e duendes sorridentes, dificilmente imaginaria que aquela seria a festa que leva o seu nome. Nem o país. Nem a cor. Porque, ironia das ironias, o homem que se tornou símbolo máximo da Irlanda… nem sequer era irlandês. Nascido na Britânia romana — muito provavelmente na actual Escócia — com o nome Maewyn Succat, foi raptado aos 16

O Zumbido da Continuidade/The Buzz of Continuity

(Followed by the English version) ZZZZZZZZZZZ ZZZZ ZZZZZZZ… Adivinharam o tema? Isso mesmo… falaremos de abelhas, esse ser essencial que com cada visita a uma flor,  com cada voo coreografado se revela vital para a polinização de plantas silvestres e agrícolas, para o crescimento das árvores e para a própria continuidade da vida que nos rodeia.  O que raramente vemos é a escala desse impacto. Não se trata apenas de flores mais bonitas ou colheitas mais abundantes, mas de sist

Março começa assim.../This is how March begins...

(Followed by the English version) Embora não se perceba muito bem porque é que me dedico a determinados temas, o facto é que isso acontece naturalmente. Pode, à primeira vista, parecer algo sem interesse mas o que sucede é que me leva sempre a reflexões interessantíssimas sobre as diferentes formas como cada país encara questões que nos parecem simples: leis, natureza, tradições e prioridades sociais.  Hoje as reflexões são sobre poda. A partir do dia 1 de Março e até 31 de A

Johnnie Fox’s Pub

No alto das Dublin Mountains, em Glencullen, literalmente no meio do nada, nasceu em 1798 — um dos anos mais turbulentos da história irlandesa — o Johnnie Fox’s Pub. Enquanto o país era sacudido pela Rebelião Irlandesa contra o domínio britânico, ali em cima, longe do centro urbano, começava a história de um pequeno espaço rural que viria a tornar-se um dos pubs mais emblemáticos da Irlanda. A sua origem não está ligada a um projecto comercial nem o edifício original pensado

Pancake Tuesday

(Imagem retirada de awareness days.com) Há tradições que se repetem e que ninguém sabe muito bem porquê… Faz-se porque sim. Mas as tradições têm sempre um enraizamento, uma história que nos dá o contexto do como, quando e porquê de determinada coisa ter chegado até aos nossos dias. O Shrove Tuesday , ou Pancake Tuesday , não é excepção.  Não é feriado nem dia solene, mas é tradição familiar. Acontece sempre 47 dias antes da Páscoa, ou seja, na terça-feira anterior à Quarta-fe

Pearse: muito além do seu tempo/Pearse: Far Ahead of His Time

(Followed by the English version) Visitei o museu dedicado a Pádraig Pearse e saí de lá profundamente ensimesmada. Há figuras que não pertencem totalmente ao seu tempo. Caminham à frente — muito à frente — incompreendidas, movidas por uma ideia maior do que elas próprias. Pearse foi uma delas. Poderia ter ficado na História como um rebelde — mais um. Já seria suficiente, porque assim o é quem coloca a sua vida a servir a liberdade. Mas ele foi mais longe… Sublinhando que libe

Brígida: as razões de um feriado/ Brigid: the reasons behind the holiday

(Followed by the English version) Já vos falei de St. Brígida num outro post… O que proponho hoje é, de certa forma, analisar o que está por detrás deste feriado que lhe foi dedicado na Irlanda. Porque, sim, Sta. Brígida está na cultura irlandesa há séculos, mas o St. Brigid’s Day, enquanto feriado nacional, é praticamente um recém-nascido — só começou oficialmente em 2023 . Desde então, é celebrado na primeira segunda-feira de Fevereiro — embora, tradicionalmente, o seu dia

A ‘Sofisticada’ Gastronomia Irlandesa/Ireland’s ‘Exquisite’ Cuisine

(Followed by the English version) (Imagem retirada de RecipeVibes) Não adianta, por mais voltas que se dê: a gastronomia da Irlanda reduz-se a uma dúzia de pratos. E ok… nada contra, até porque a perfeição é algo que não existe. Mas sejamos honestos: já têm tanta coisa extraordinária — paisagens, cultura, música… para quê negar que, em termos gastronómicos, são fraquinhos? Não sei inclusivamente com que é que as freiras se entretinham nos conventos — a inventar receitas não e

Paisagem sonora/Soundscape

(Followed by the English version) Quem me conhece sabe que o som tem uma enorme importância na minha existência… Guardo mais depressa um som na memória do que qualquer outra coisa… Hoje decidi fazer um exercício de levar até vós esse vasto repertório de sons, dando-vos uma Irlanda que se ouve… As imagens ficarão ao vosso critério… Fechem os olhos e procurem reconstruir cada momento desta paisagem sonora que vou tentar traduzir em palavras sabendo que não é tarefa fácil… A chu

Nem Graal Nem Cruzada/No Grail, No Crusade

(Followed by the English version) (Imagem retirada de World History Encyclopedia) Fala-se de cruzadas, de cavaleiros e de um cálice perdido — o Santo Graal —, e logo o nome dos Templários se impõe, envolto em mistério e contradição. Foram monges e guerreiros, banqueiros e mártires, heróis e hereges, dependendo de quem conta a história. Os Templários — ou, pelo nome completo, Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão — foram fundados por volta de 1119, em Je

Em Busca de Genialidades Perdidas/ In Search of Lost Ingenuities

(Followed by the English version) (Ilustração de Édouard Riou) Quando se começa a “cavar”, é certo sabido que podemos não encontrar o pote de ouro, mas encontramos coisas deliciosas de gente que por necessidade ou mero acaso, deram à luz invenções extraordinárias.  Se vos perguntar o que é que o presidente da Royal Society  e fundador do que viria a ser o British Museum , tem a ver com o leite achocolatado, provavelmente vocês responderiam: nada. Mas tem, e muito. Hans Sloane

Odores que se despedem /Scents bidding farewell

(Followed by the English version) Por certo já repararam que nesta época do ano, os odores se misturam criando, por si só, uma explosão como se fossem fogos de artifício que gritam:  Natal. Lá fora o cheiro húmido da terra, dos pinheiros que, imponentes, espalham a sua fragrância numa resiliência de séculos contribuem para lembrar o Mundo de que há ciclos que se repetem e memórias que se acendem com o frio. A paisagem tem, toda ela, uma melancolia propícia à reflexão  — a neb

Natal em copos cheios/Christmas in Brimming Glasses

(Followed by the English version) Já falamos de cânticos, de palavras, é talvez tempo de mergulharmos em algo menos etéreo… Há muitas luas atrás, já vos falei dos pratos típicos irlandeses servidos na ceia e no dia de Natal… — É fácil recordar: desde que um irlandês tenha batatas e manteiga está tudo bem… Este ano, resolvi explanar sobre bebidas — não há uma bebida única típica do Natal,  mas sim um conjunto de bebidas que ganham destaque nesta época fria, festiva e de convív

Entre a voz e o papel.../Between the voice and the page…

(Followed by the English version) As palavras no Natal ficam mais bonitas… não sei se já repararam. Saem-nos da boca com mais ternura misturadas num sorriso em rostos que são sérios. E, se forem escritas, escolhem-se as mais leves, que como rebuçados, caem no papel desembrulhando desejos. Na Irlanda, há uma tradição que, apesar de ter esmorecido com o avanço das tecnologias, continua a vigorar. Se vos dissesse que foram os irlandeses que a inventaram, mentiria. Mas embrenhou-

Quando a Irlanda canta o Natal/ When Ireland sings Christmas

(Followed by the English version) (Imagem retirada de hoorayheroes) Um, dois, três… É quase Natal outra vez… E não vou voltar a dizer como sou louca por esta quadra… Logo a abrir vamos conhecer músicas irlandesas que sobrevivem e se entoam com orgulho, mantendo a identidade cultural e linguística do país. E não, não precisam de falar irlandês para sentirem as vibrações natalícias desta bela ilha… deixem-se apenas imbuir na melodia e logo a alma vos guiará para o lugar certo…

Gene celta? Que é isso?/ Celtic gene? What’s that?

(Followed by the English version) Vocês já sabem, por esta altura, que eu sou, como dizer… maluca… Assim como sabem que qualquer grão de areia me faz comichão aos neurónios e me faz ficar dias a estudar sobre ele. Foi mais ou menos isto que se passou quando estava a ler um artigo casual numa revista de saúde em que volta e meia repetia “o gene celta”... Pronto, estava eu tão sossegada a ler a revista, descontraída até, e zás! Tinha que ficar atordoada com isto… até os meus ol

Glendalough

(Followed by the English version) Pensem grande… Pensem verde e nas cores outonais… Pensem em paz silenciosa que vos devolve à essência… Respirem, devagar… Sintam o cheiro a pinheiro, a hortelã, o frescor da água na terra, nas raízes exuberantes… Ouçam as cascatas… os pássaros… o lago…   Falo-vos de Glendalough, ou Gleann Dá Loch — o “vale dos dois lagos” — a alma de Wicklow. Um vale glacial no coração do condado, entre montanhas que parecem fechar-se num abraço, guardando os

Choco-louca.../Choco-crazy...

(Followed by the English version) (Imagem retirada de National Geographic) Entre a ressaca do Halloween e a antevisão do Natal, trago-vos um tema que combina perfeitamente com estas festividades — embora, para mim, tenha celebração garantida todos os dias do ano… Um agradecimento genuíno à Theobroma cacao , nome científico da árvore que me proporciona incontáveis momentos de prazer e de pura gula — aliás, o nome Theobroma cacao  vem do grego e significa literalmente ‘alimento

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