Considerações.../Considerations...
- luaemp
- 1 de out. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 22 de nov. de 2024
(Followed by the English version at the end)
Não é segredo para ninguém que a população mundial está envelhecida assim como também não o é os familiares terem cada vez menos tempo para cuidar dos seus velhos — diria mesmo, simplesmente, "menos tempo para cuidar. (ponto)", mas isso levar-nos-ia longe e, por ora, quero manter o foco…
Ser cuidador é, pois, uma profissão de futuro!
Pareceu-me ouvir um riso cínico aí! 🤔
Riem porque estão a pensar: que futuro tem um cuidador a ganhar o ordenado mínimo em Portugal? A ser confundido com uma empregada de limpeza — nada contra, mas não é a mesma coisa —, a ser tratado — quer pelas empresas prestadoras de serviços, quer pelas famílias onde são colocados —
sem o mínimo de reconhecimento pela nobre profissão que desempenha?
Pois… Bem… Talvez em Portugal não seja uma profissão com futuro, até porque não chega a ser uma profissão. É uma espécie de cozido à portuguesa ou de bacalhau com todos em que se contrata um "ajudante familiar" — título recorrente nos anúncios de emprego — que traduzido em miúdos significa: anda limpar a casa, passar a ferro, cozinhar, limpar o terraço, fazer as compras, e, já agora, muda a fralda ao meu pai, e dá-lhe de comer. Mais, alguns empregadores, pelo que ouço, ainda acham que esses serviços são extensivos a todo o agregado familiar.
Sim, assim entendo o vosso riso cínico!...
Não, a menos que as mentalidades (e políticas) mudem, em Portugal não se pode nem ser velho nem ser cuidador.
Portanto, deixem que o espírito dos nossos egrégios antepassados penetrem nas vossas veias, icem os mastros, como eles o fizeram, e partam à descoberta — de vocês mesmos, de um salário digno, de aprendizagem, de reconhecimento e gratidão…
O pior que vos pode acontecer é viverem um presente com uma profissão de/com futuro…

English Version
It’s no secret that the global population is ageing, nor is it a secret that families have less and less time to care for their elderly — or, I might simply say, “less time to care. (full stop)” But that would take us far off track, and for now, I want to stay focused…
Being a carer is, therefore, a profession with a future!
Did I just hear a cynical laugh there? 🤔
You’re laughing because you’re thinking: what kind of future does a carer have earning minimum wage in Portugal? Being mistaken for a cleaner — nothing against cleaners, but it’s not the same thing — treated, both by service-providing companies and the families they are placed with, without the slightest recognition for the noble work they do?
Well… Yes… Perhaps in Portugal it’s not really a profession with a future, mainly because it’s not even considered a proper profession. It’s more like a cozido à portuguesa or bacalhau com todos situation where you hire a “family helper” — a common job title in adverts — which, in practical terms, means: come clean the house, do the ironing, cook, sweep the terrace, do the shopping, and, oh, by the way, change my dad’s nappy and feed him. Worse still, from what I hear, some employers seem to think these services should extend to the entire household.
Yes, now I understand your cynical laughter!
No, unless mentalities (and policies) change, in Portugal, you can neither afford to be old nor a carer.
So, let the spirit of our illustrious ancestors flow through your veins, hoist the masts as they once did, and set off on a journey of discovery — of yourselves, of a fair wage, of learning, of recognition and gratitude…
The worst that could happen to you is to live in the present with a profession of/with a future…



Realmente e bem assim. As agencias portuguesas dizem que os cuidadores tem que fazer o serviço domestico também. Vejo isso como acumulo de funções e quem se beneficia dessa situação e a agencia.
Parabéns pelo início de conversa!