Druidas em construção/Druids in the Forge
- luaemp
- 24 de nov. de 2024
- 14 min de leitura
(Followed by the English version at the end)

Creio que é legítimo afirmar que as ervas aromáticas têm um papel fundamental na culinária dos povos mediterrânicos, já que a sua dieta é famosa pelo uso generoso de ingredientes frescos e naturais, e as ervas, não só intensificam o sabor, como podem substituir o uso excessivo de sal, trazendo frescura e aroma aos pratos.
Claro que cada país do Mediterrâneo tem as suas preferências e particularidades no uso das ervas, mas nenhum as dispensa.
Acrescentam-nas aos pratos de uma forma quase automática, como já os seus antepassados o faziam… Outros até ensaiam novas misturas, deixando-se levar pelo processo criativo…
Nada contra, antes pelo contrário… Porém, nem todos têm consciência de que para além das ervas aromáticas enriquecerem a experiência gastronómica com sabor e aroma, elas são igualmente aliadas da saúde.
Cada folha de manjericão, cada raminho de salsa ou tomilho carrega consigo compostos benéficos que, de forma quase imperceptível, contribuem para o nosso bem-estar.
Depois, como alguns saberão, há ervas que, pela sua essência e sabor, combinam especialmente bem com peixe e outras com carne, realçando as qualidades de cada tipo de prato. Para o peixe, as ervas mais comuns são aquelas de sabor mais leve e fresco, como o endro (ou aneto), o tomilho-limão e o funcho. Estas são ideais para temperar peixes grelhados, assados ou em marinadas, trazendo uma frescura que não se sobrepõe ao sabor natural do peixe. O alecrim e o coentro também são utilizados, sobretudo em peixes mais robustos ou em caldeiradas, onde o sabor mais intenso destas ervas combina bem com o do peixe.
Já para a carne, ervas mais aromáticas e de sabor forte, como o alecrim, o tomilho, o louro e a sálvia, são muito usadas. Estas ervas suportam bem os métodos de cozedura mais prolongados e intensos, como os assados, grelhados ou guisados, onde a carne absorve lentamente o sabor de cada uma delas. Alecrim e tomilho, por exemplo, são clássicos em pratos de carneiro e de porco, enquanto o louro e o rosmaninho são indispensáveis em cozidos e pratos de caça.
Também há as ervas, sobretudo as frescas, como o manjericão, a salsa e o coentro, que, sendo mais delicadas, perdem o seu frescor e óleos essenciais com o calor prolongado. Por isso, costumam ser adicionadas no final da confecção, pouco antes de servir, para manter o sabor mais vivo.
Notem que as propriedades das ervas vem de um conhecimento prático que remonta a tempos remotos, muito antes de se compreenderem os compostos químicos envolvidos. O seu uso na culinária e na medicina tradicional resulta de gerações de observação e experimentação.
Sendo assim, qual druida, que não limita o seu conhecimento ao seu quintal, lá saio eu por montes e vales colhendo as plantas para preparar os meus condimentos e remédios caseiros…
O gosto deve ter vindo da minha avó, que me foi incutindo o “bichinho”... Depois a busca mais “apurada” na tentativa de saber mais do que “isto faz bem àquilo”...
Cada erva carrega consigo uma espécie de personalidade própria — seja a frescura da hortelã, a suavidade do manjericão, o tom terroso do alecrim ou a pungência do tomilho.
Não poderei falar-vos de todas, mas falarei de algumas mais conhecidas…
Cestinho na mão? Sigam-me…
Salsa: Rica em vitaminas A, C e K, contribui para fortalecer o sistema imunitário, é óptima para a saúde óssea e ideal para quem sofre de anemia devido ao seu teor de ferro.
Coentros: Fontes de antioxidantes e vitaminas C e K, os coentros ajudam na digestão e têm um efeito “detox", eliminando as toxinas do organismo e promovendo a saúde do fígado.
Manjericão: Rico em antioxidantes e óleos essenciais, especialmente o eugenol, que possui propriedades anti-inflamatórias, é bom para aliviar o stress, contribui para a saúde cardiovascular, ajuda igualmente a manter a pele saudável, combatendo o envelhecimento precoce.
Hortelã: Conhecida pelo seu teor de mentol, a hortelã é excelente para a digestão, refrescante e ainda contribui para aliviar dores de cabeça e descongestionar as vias respiratórias.
Alecrim (Rosmarinus officinalis): Tem propriedades digestivas e anti-inflamatórias.
Funcho (Erva-doce): possui uma boa quantidade de fibras, vitamina C e potássio; auxilia na digestão, alivia o inchaço e é bom para a saúde ocular.
Orégãos: São altamente antioxidantes, com vitaminas K e C, além de cálcio; ajudam a combater infecções bacterianas e são óptimos para o sistema respiratório.
Tomilho: Rico em vitamina C e timol, possui propriedades antibacterianas e é excelente para o sistema respiratório, ajudando a aliviar tosses e descongestionar.
O alho (Allium sativum) é uma extraordinária planta bulbosa, rica em compostos como a alicina, que lhe confere potentes propriedades antibióticas e antimicrobianas.
Ele pode ajudar a combater infecções bacterianas, virais e fúngicas, além de estimular o sistema imunológico.
Tem propriedades antioxidantes, e anti-inflamatórias, sendo particularmente benéfico em casos de artrite e outras doenças autoimunes. A nível cardiovascular, é conhecido por ajudar a reduzir a pressão arterial e melhorar a saúde do coração, podendo ainda contribuir para a redução do colesterol LDL (o "mau" colesterol) e o aumento do HDL (o "bom" colesterol).
Também tem ação anticoagulante natural, ajudando a prevenir a formação de coágulos sanguíneos. Outro dos benefícios do alho é a sua capacidade de promover a desintoxicação do corpo, agindo como um aliado do fígado, e de melhorar a digestão. Além disso, o alho tem propriedades anti-helmínticas, o que significa que pode ser utilizado no combate a vermes e parasitas intestinais.

Rosmaninho (Lavandula stoechas): Embora seja da mesma família da lavanda, o rosmaninho tem uma aparência diferente e é muito popular na Península Ibérica. Possui um aroma fresco e é muito utilizado em infusões, além de ter propriedades calmantes e antissépticas.

Lavanda (Lavandula angustifolia ou Lavandula officinalis): Conhecida pelo perfume doce e floral, é amplamente usada em cosméticos, aromaterapia e infusões relaxantes. É famosa pelas suas propriedades calmantes e pelo uso medicinal, especialmente para aliviar stress e ansiedade.
Se souberem preparar o óleo de lavanda, também há à venda, experimentem colocar umas gotas no travesseiro — ou ponham simplesmente uns raminhos debaixo da almofada…Garanto-vos que faz magia ajudando a relaxar e a induzir o sono. Além disso, a lavanda também pode ser aplicada topicamente; experimentem uma massagem com óleo de lavanda.

Mimosa pudica (vulgarmente denominada por “dormideira”, conhecida pelo seu comportamento de fechar as folhas quando é tocada ou perturbada): É excelente para a ansiedade.

Salgueiro (Salix): Conhecido principalmente pela sua casca, que contém salicina, um composto que tem propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antipiréticas (reduz febre). Esta substância é um precursor da aspirina (ácido acetilsalicílico), o que torna o salgueiro útil no alívio de dores e no combate à febre. Tem também propriedades antioxidantes e pode auxiliar na redução de inflamações e dores articulares. Experimentem fazer uma infusão deixando ferver a casca durante cerca de 15 minutos, coem e bebam… Podem usá-la para aliviar dores de cabeça ligeiras, reduzir a febre e tratar inflamações, especialmente em casos de dores articulares ou musculares. Neste caso podem fazer compressas para aliviar inflamações externas ou articulações doloridas.
Devido à presença de salicina, deve-se ter cuidado ao usá-la, principalmente em pessoas com alergias à aspirina ou que tenham problemas gástricos.

Malva: Esta era a favorita da minha avó… Dava para tudo! E na verdade é uma planta multifacetada…
Possui propriedades anti-inflamatórias, emolientes (que amaciam a pele e as mucosas), expectorantes e calmantes. Contém mucilagens que ajudam a suavizar e a proteger as mucosas do trato respiratório e digestivo, tornando-a útil para a tosse e problemas respiratórios. Tem também propriedades laxativas suaves e pode ajudar a acalmar inflamações na pele, nos olhos, nas gengivas e garganta.
É comummente usada em infusões para tratar problemas respiratórios (como tosse e bronquite), distúrbios digestivos (como prisão de ventre e inflamações intestinais) e problemas de pele (como eczema ou irritações) — neste caso, também pode ser aplicada localmente em compressas ou cataplasmas. Um gargarejo alivia as inflamações das gengivas e garganta.
De facto é uma planta que, com a simplicidade dos seus usos, continua a ser um remédio caseiro valioso.

Sabugueiro: Quer flores quer frutos desta planta, tem diversos fins na medicina tradicional. Possui propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, excelente para constipações e gripes — sobretudo no
alívio da tosse e congestão nasal, ajudando a soltar as secreções, facilitando a respiração.
Digo-vos eu que é óptimo para aliviar o desconforto de uma conjuntivite ou alergias oculares. Façam um chá e coloquem compressas mornas, quase frias, sobre os olhos… 🤫

Gengibre (Zingiber officinale) é uma planta amplamente conhecida tanto na culinária quanto na medicina tradicional devido às suas diversas propriedades benéficas. A raiz do gengibre é o principal componente utilizado, e ela é muito apreciada pelas qualidades terapêuticas e seu sabor picante e aromaticamente quente.
Tem propriedades anti-inflamatórias — sendo úteis no alívio de condições como a artrite, dores musculares e até mesmo inflamações intestinais —, e antioxidantes — que ajudam a combater os radicais livres, promovendo a saúde celular e prevenindo o envelhecimento precoce.
É famoso pela sua eficácia em aliviar náuseas, especialmente as associadas à gravidez (enjoo matinal), quimioterapia ou até mesmo as de viagens (enjoo de movimento). Além disso, melhora a digestão e pode ser útil para combater a indigestão e a sensação de estômago pesado.
Tem uma acção termogénica e emagrecedora: pode ajudar a acelerar o metabolismo, contribuindo para o processo de queima de gordura e promovendo uma sensação de saciedade. Por isso, é frequentemente incluído em dietas de emagrecimento.
Graças à sua acção vasodilatadora, o gengibre ajuda a melhorar a circulação sanguínea, podendo ser útil em casos de má circulação, frio nas extremidades ou até mesmo na redução da pressão arterial.
O gengibre é frequentemente considerado um estimulante sexual natural devido às suas propriedades que podem aumentar a circulação sanguínea e melhorar a vitalidade. O aumento da circulação sanguínea, especialmente na região genital, pode potencialmente contribuir para uma maior excitação sexual e para o aumento da libido. Além disso, ele é conhecido por ser um termogénico, ou seja, pode ajudar a aumentar a temperatura corporal, o que também pode ser benéfico para a estimulação sexual. Não é à toa que na medicina tradicional de várias culturas, ele tem sido usado para tratar disfunções sexuais e melhorar a energia vital. Pode ser consumido através de chá, suco ou mesmo em alimentos, com a ideia de promover maior desejo e desempenho sexual. Tenham, por isso, atenção (ou não 😉) à quantidade que colocam na comida 😂…

Valeriana (Valeriana officinalis): as suas raízes são usadas na medicina tradicional para tratar uma variedade de problemas, especialmente os relacionados com o sistema nervoso. Experimentem tomar uma infusão de raiz de valeriana em vez de se entupirem de comprimidos para dormir. Esta planta é usada como remédio natural para a insónia, redução de ansiedade e alguns estudos apontam que é útil para aliviar sintomas de depressão devido aos seus efeitos sobre o sistema nervoso, particularmente através do aumento dos níveis de GABA (um neurotransmissor inibidor que promove relaxamento e redução da excitabilidade nervosa). Tem também propriedades anti-inflamatórias e levemente analgésicas.

(Papaver rhoeas)

(Papaver somniferum)
Falando em insónias e ansiedade, podem optar pelo chá de pétalas de papoila selvagem (Papaver rhoeas)... Esta espécie, cujas sementes são usadas em receitas culinárias, como bolos e pães,
contém muito menos opiáceos do que as papoilas de ópio (Papaver somniferum) que são cultivadas para a extracção de ópio, rico em alcalóides como a morfina e a codeína… É melhor não fazerem bolos com ela 😉…
Ficamos por aqui neste passeio entre sabores e saberes…
Talvez vos tenha dado algum alento para serem, doravante, verdadeiros druidas em construção e não aqueles dos tempos modernos, a que chamo de druidas de supermercado, já que se limitam a usar as ervas engarrafadas, só porque sim…

English Version
I believe it is fair to say that aromatic herbs play a fundamental role in Mediterranean cuisine, as their diet is renowned for its generous use of fresh, natural ingredients. Herbs not only enhance the flavour but can also replace excessive use of salt, bringing freshness and aroma to dishes.
Of course, each Mediterranean country has its own preferences and particularities when it comes to using herbs, but none go without them.
They add them to dishes almost automatically, just as their ancestors did. Others even experiment with new combinations, letting their creativity take over. Nothing wrong with that, quite the opposite. However, not everyone realises that, beyond enhancing the gastronomic experience with flavour and aroma, aromatic herbs are also allies for our health.
Every basil leaf, every sprig of parsley or thyme carries beneficial compounds that, almost imperceptibly, contribute to our well-being.
Then, as some might know, certain herbs, due to their essence and flavour, pair especially well with fish, while others complement meat, enhancing the qualities of each type of dish. For fish, the most commonly used herbs are those with a lighter and fresher taste, such as dill, lemon thyme, and fennel. These are ideal for seasoning grilled, roasted, or marinated fish, adding a freshness that doesn’t overpower the natural flavour of the fish. Rosemary and coriander are also used, particularly with more robust fish or in stews, where the more intense flavour of these herbs blends well with the fish.
For meat, stronger and more aromatic herbs, such as rosemary, thyme, bay leaves, and sage, are widely used. These herbs stand up well to longer, more intense cooking methods, such as roasting, grilling, or stewing, where the meat slowly absorbs their flavours. Rosemary and thyme, for instance, are classics in lamb and pork dishes, while bay leaves and lavender are indispensable in stews and game dishes.
There are also herbs, particularly fresh ones like basil, parsley, and coriander, which are more delicate and lose their freshness and essential oils with prolonged heat. For this reason, they are usually added at the end of cooking, just before serving, to preserve their vibrant flavour.
Note that the properties of herbs stem from practical knowledge dating back to ancient times, long before the chemical compounds involved were understood. Their use in both cuisine and traditional medicine is the result of generations of observation and experimentation.
Thus, like any druid who doesn’t confine their knowledge to their own garden, off I go through hills and valleys, gathering plants to prepare my seasonings and homemade remedies.
This passion likely came from my grandmother, who sparked my curiosity early on. Later, it turned into a more refined quest to understand more than just “this is good for that”…
Each herb carries its own unique personality — the freshness of mint, the softness of basil, the earthy tone of rosemary, or the pungency of thyme.
I can’t tell you about them all, but I’ll share a few of the more familiar ones...
Basket in hand? Follow me...
Parsley: Rich in vitamins A, C, and K, it helps strengthen the immune system, supports bone health, and is ideal for those suffering from anaemia due to its iron content.
Coriander: A source of antioxidants and vitamins C and K, coriander aids digestion and has a “detox” effect, helping to eliminate toxins from the body and promoting liver health.
Basil: Rich in antioxidants and essential oils, particularly eugenol, which has anti-inflammatory properties, basil helps relieve stress, supports cardiovascular health, and contributes to healthy skin by combating premature aging.
Mint: Known for its menthol content, mint is excellent for digestion, refreshing, and also helps relieve headaches and clear respiratory passages.
Rosemary (Rosmarinus officinalis): Known for its digestive and anti-inflammatory properties.
Fennel (Sweet Fennel): Contains a good amount of fibre, vitamin C, and potassium; it aids digestion, relieves bloating, and is beneficial for eye health.
Oregano: Highly antioxidant, with vitamins K and C, as well as calcium; it helps combat bacterial infections and is excellent for the respiratory system.
Thyme: Rich in vitamin C and thymol, it has antibacterial properties and is excellent for the respiratory system, helping to alleviate coughs and clear congestion.
Garlic (Allium sativum) is an extraordinary bulbous plant, rich in compounds like allicin, which gives it potent antibiotic and antimicrobial properties. It can help combat bacterial, viral, and fungal infections, as well as stimulate the immune system.
It has antioxidant and anti-inflammatory properties, being particularly beneficial in cases of arthritis and other autoimmune diseases. In terms of cardiovascular health, garlic is known to help lower blood pressure and improve heart health, potentially reducing LDL cholesterol (the "bad"cholesterol) and increasing HDL cholesterol (the "good" cholesterol).
Garlic also has natural anticoagulant action, helping to prevent the formation of blood clots. Another benefit of garlic is its ability to promote detoxification, acting as an ally to the liver, and improving digestion. Furthermore, garlic has anti-helminthic properties, meaning it can be used to combat worms and intestinal parasites.

Rosemary (Lavandula stoechas): Although it belongs to the same family as lavender, rosemary has a different appearance and is very popular on the Iberian Peninsula. It has a fresh aroma and is widely used in infusions, in addition to having calming and antiseptic properties.

Lavender (Lavandula angustifolia or Lavandula officinalis): Known for its sweet, floral fragrance, lavender is widely used in cosmetics, aromatherapy, and relaxing infusions. It is famous for its calming properties and medicinal use, especially for relieving stress and anxiety.
If you know how to prepare lavender oil, or even if you buy it, try putting a few drops on your pillow — or simply place some sprigs under your pillow. I assure you, it works wonders in helping you relax and inducing sleep. Additionally, lavender can also be applied topically; try a massage with lavender oil for an added benefit.

Mimosa pudica (commonly known as "sensitive plant" or "touch-me-not" due to its behaviour of closing its leaves when touched or disturbed): It is excellent for anxiety.

Willow (Salix): Known primarily for its bark, which contains salicin, a compound with anti-inflammatory, analgesic, and antipyretic (fever-reducing) properties. This substance is a precursor to aspirin (acetylsalicylic acid), making willow useful for relieving pain and fighting fever. It also has antioxidant properties and can help reduce inflammation and joint pain. Try making an infusion by boiling the bark for about 15 minutes, straining it, and drinking it. It can be used to relieve mild headaches, reduce fever, and treat inflammation, especially in cases of joint or muscle pain. You can also make compresses to relieve external inflammation or sore joints.
Due to the presence of salicin, care should be taken when using it, especially for those with aspirin allergies or gastrointestinal issues.

Mallow: This was my grandmother's favourite... It was good for everything! And in truth, it’s a multifaceted plant…
It has anti-inflammatory, emollient (which softens the skin and mucous membranes), expectorant, and calming properties. It contains mucilage that helps to soothe and protect the mucous membranes of the respiratory and digestive tracts, making it useful for coughs and respiratory problems. It also has mild laxative properties and can help calm inflammation on the skin, eyes, gums, and throat.
It is commonly used in infusions to treat respiratory issues (such as cough and bronchitis), digestive disorders (like constipation and intestinal inflammation), and skin problems (such as eczema or irritations) — in these cases, it can also be applied topically in compresses or poultices. A gargle helps relieve gum and throat inflammation.
In fact, it is a plant that, with the simplicity of its uses, remains a valuable home remedy.

Elderberry: Both the flowers and the fruits of this plant have various uses in traditional medicine. It has anti-inflammatory, antioxidant properties, and is excellent for colds and flu — especially in relieving cough and nasal congestion, helping to loosen secretions and making breathing easier. I can tell you that it’s great for relieving the discomfort of conjunctivitis or eye allergies. Make a tea and place warm, almost cold compresses over your eyes... 🤫

Ginger (Zingiber officinale) is a plant widely known both in culinary and traditional medicine for its various beneficial properties. The root of ginger is the main component used, and it is highly valued for its therapeutic qualities as well as its spicy, warmly aromatic flavour.
It has anti-inflammatory properties — useful in relieving conditions such as arthritis, muscle pains, and even intestinal inflammation — and antioxidant properties — which help combat free radicals, promote cell health, and prevent premature aging.
It is famous for its effectiveness in relieving nausea, especially those associated with pregnancy (morning sickness), chemotherapy, or even motion sickness. Additionally, it improves digestion and can be helpful in combating indigestion and the feeling of a heavy stomach.
It has a thermogenic and weight-loss effect: it can help accelerate metabolism, contributing to the fat-burning process and promoting a feeling of satiety. For this reason, it is often included in weight loss diets.
Thanks to its vasodilatory effect, ginger helps improve blood circulation, which can be useful in cases of poor circulation, cold extremities, or even in lowering blood pressure. Ginger is often considered a natural aphrodisiac due to its properties that can increase blood flow and boost vitality. The increase in blood circulation, especially in the genital region, can potentially contribute to greater sexual arousal and increased libido. Additionally, it is known to be thermogenic, meaning it can help raise body temperature, which may also be beneficial for sexual stimulation. It is no surprise that, in traditional medicine across various cultures, ginger has been used to treat sexual dysfunction and improve vital energy. It can be consumed in tea, juice, or even incorporated into food, with the aim of promoting greater desire and sexual performance. So, do keep an eye on (or not 😉) the amount you add to your food 😂…

Valerian (Valeriana officinalis): Its roots are used in traditional medicine to treat a variety of issues, particularly those related to the nervous system. Try having a valerian root infusion instead of loading up on sleeping pills. This plant is used as a natural remedy for insomnia, reducing anxiety, and some studies suggest it may help alleviate symptoms of depression due to its effects on the nervous system, particularly by increasing levels of GABA (an inhibitory neurotransmitter that promotes relaxation and reduces nervous excitability). It also has anti-inflammatory and mild analgesic properties.

(Papaver rhoeas)

(Papaver somniferum)
Speaking of insomnia and anxiety, you can opt for wild poppy petal tea (Papaver rhoeas). This species, whose seeds are used in culinary recipes like cakes and breads, contains far fewer opiates than the opium poppies (Papaver somniferum) cultivated for the extraction of opium, rich in alkaloids such as morphine and codeine... It's better not to bake cakes with it 😉…
We’ll leave it here on this journey through flavours and knowledge…
Perhaps I’ve given you some encouragement to become, from now on, true druids in the making, and not those of modern times, whom I call supermarket druids, as they limit themselves to using bottled herbs, just because…




Mais do que conhecimento, é conhecimento com utilidade.