Halloween. E esta hein?
- luaemp
- 17 de out. de 2023
- 3 min de leitura
Halloween teve origem na Irlanda… ah pois é….
As suas raízes estão intrinsecamente ligadas aos celtas que por aqui habitavam e ao festival de nome Samhain (que devem pronunciar sau-in) que se celebrava nos dias 31 de Outubro e 1 de Novembro. Este festival para além de marcar a passagem do Verão para o Outono, época das colheitas, ele tinha também, como não podia deixar de ser, um significado sobrenatural uma vez que eles acreditavam que nesta mesma altura do ano, as barreiras entre o mundo dos vivos e dos mortos se desvaneciam. Ora, com o intuito de guiar os mortos para o seu destino, prestando-lhes homenagem, os celtas faziam enormes fogueiras e acendiam tochas para que eles seguissem a luz e pudessem encontrar de novo o seu caminho… Tinham igualmente o hábito de esculpir nabos (o que é extremamente difícil) com rostos assustadores e com brasas dentro, para que os espíritos malignos passassem ao largo. Esta prática está também associada a uma lenda irlandesa chamada “Stingy Jack”, ou "Jack of the Lantern" que um dia vos contarei 😉
Como quase sempre acontece, a Igreja, com a sua sede indomável de cristianização, fundiu estes rituais pagãos, com o dia de Todos os Santos, que nos seus primórdios, era comemorado em Maio, tendo o Papa Gregório III, ordenado, provavelmente na tentativa de acabar com o Samhain, que se passasse essa comemoração para o dia 1 de Novembro, coisa que vigora até hoje.
Mas só que não, ou pelo menos não inteiramente. All Hallow' Eve cuja tradução será "A Véspera do Dia de Todos os Santos", nomenclatura cujos primeiros registos aparecem no século XIV, e que bem mais tarde se aglutinou para Halloween.
Acresce dizer que a tradição de ir de porta em porta pedir "doçuras ou travessuras" também sofreu mutações, não imagino os Celtas a fazê-lo! No festival Samhain eles iam de facto de porta em porta em busca de oferendas, incluindo maçãs, laranjas e nozes, para que se realizasse a festa e para que os "espíritos" pudessem comer, e de uns animai que os druidas pudessem sacrificar. Quando os cristãos tomaram conta da festa, puseram crianças a ir de porta em porta, mas desta vez a cantar canções, e em troca recebiam o "soul cake", cuja tradução seria "bolo da alma" mas que na realidade é conhecido em Portugal como "pão-de-Deus".
Ainda se mantém a tradição de nesta altura se fazer o barmbrack, um bolo com uvas-passas, laranja, maçã e com um pequeno anel de metal, que dizem, a quem calhar a fatia com o anel, será o primeiro a casar. Actualmente só colocam o anel, mas antigamente eram colocados, para além deste colocavam uma moeda que simbolizava riqueza, um pedaço de tecido que adivinhava tempos difíceis,uma ervilha e quem a tivesse não casaria nesse ano, e um pequeno pau que para aquele que lhe calhasse, significava fim do casamento.
Típico é também o colcannon, que é um puré de batata ao qual se misturam couves.
A tradição de se deixar um prato de comida à porta para ofertar aos "Aos sí" (pronuncia-se ai-chi) espíritos que na realidade são neutros, mas pelo sim pelo não, convém agradar).
Precisamente à meia noite, abre-se a porta da frente da casa, faz-se ruído com testos e pratos, e corre-se a abrir a porta de trás (ou janelas) para que os espíritos possam fazer a passagem.
Isto para além dos irritantes "bangers" que desde o primeiro dia de Outubro até ao último, estouram a qualquer hora e que são aquelas "bombas" de pólvora seca que se atiram ao chão e paredes provocando um estrondo.
Creio que só no século XX as crianças, talvez cansadas do pão, das maçãs ou laranjas, resolveram começar a pedir doces ameaçando que caso não lhos dessem, haveria retaliação, daí a ladainha do "trick or treat" que nós dizemos "doçura ou travessura".
Portanto foram os meus amigos Celtas que criaram o Samhain, que por sua vez nos trouxe até ao Halloween…
Aos Estados Unidos a festa chegou com a imigração massiva dos irlandeses em meados do século XIX. Lá chegados, tiveram dificuldade em encontrar nabos, mas havia abóboras com fartura e que até eram mais fáceis de esculpir.
Relativamente às indumentárias, faz sentido que se repartam entre esqueletos, zombies, bruxas, fantasmas e coisas afins, embora, dizem os locais mais idosos, que antigamente os pais se limitavam a colocar-lhes um saco plástico preto do lixo, com um orifício na cabeça. O que também faz sentido, dada a meteorologia da Irlanda 😉.
Seja como for, continua a ser uma festa muito popular por cá, embora as tradições não sejam como dantes! — o que é um contra-senso, uma vez que tradição significa: via pela qual os factos ou os dogmas são transmitidos de geração em geração sem mais prova autêntica da sua veracidade que essa transmissão. Mas, pelos vistos, até o próprio conceito de tradição tem, nos nossos dias, um carácter dinâmico associado (para aquilo que convém)...
Enfim modernices!




O que tu nos ensinas, Paula! :)
Obrigada!🙂