Harpa Celta... O som da Alma...
- luaemp
- 30 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
Eu costumo dizer que a música é a minha segunda pele, ou que não vivo sem música…
Sou eclética em termos musicais mas confesso o meu “fraquinho” pelo Jazz e pela clássica…
É, pois, com particular satisfação que vos falo deste símbolo da Irlanda que é a harpa celta, também conhecida como ‘harp of Eirin’ (harpa irlandesa). Em irlandês é chamada de ‘cláirseach’.
Para além da sua importância histórica como um dos primeiros instrumentos musicais de cordas do mundo, a Irlanda é o único país a ter, como símbolo nacional, um instrumento musical — desde o século XIII a harpa é representada na heráldica como emblema da identidade irlandesa.

(@ fotografia de Pedro Mota)
A harpa celta é de uma beleza única, com a sua estrutura triangular (que eu prefiro denominar de coração), muitas vezes adornada com detalhes intrincados. As cordas de arame, feitas frequentemente de latão, contribuem para o som cristalino e melódico que lhe é característico. Distinta é também a sua a caixa de ressonância, esculpida tradicionalmente a partir de uma única peça de madeira, geralmente salgueiro.
Reza a história que no final do século X nasceu Brian Boru, que viria a ser denominado o “Grande Rei da Irlanda”, devido à sua excepcional capacidade de liderança militar e política, na sua missão de unificar os reinos irlandeses.
Entre as lendas que envolvem os seus feitos, há uma em particular que o associa à “Eirin harp”. Conta-se que na véspera da Batalha de Clontarf, em 1014 (d.C.), Brian Boru, apesar dos seus inúmeros feitos, sentiu uma grande inquietude pelo resultado da iminente batalha. Na noite que a antecedeu, e na tentativa de encontrar conforto e inspiração, ele pegou na harpa e tocou magistralmente, encantando todos ao seu redor. A música ressoou não apenas nos ouvidos dos guerreiros, mas também na alma da Irlanda. Diz-se que a melodia elevou o espírito dos soldados e inspirou coragem.
A Batalha teve uma vitória decisiva para os irlandeses liderados por Brian Boru, mas infelizmente, ele não viveu para testemunhar os frutos desse combate. Embora haja versões divergentes, se foi durante ou imediatamente a seguir à batalha, enquanto no recato da sua tenda, agradecia a Deus pela vitória, o que é certo, é que foi morto por um guerreiro Viking inimigo.
A “Eirin harp” conhecida também pelo nome de “Brian Boru harp” ficou para sempre associada a este episódio.
Diz ainda a lenda que os soldados tocaram três dias e três noites junto ao túmulo deste Rei, a famosa melodia irlandesa, “Boru March”.
Numa harmonia que transcende o tempo, a harpa celta, as suas cordas, como fios de conexão com o divino dedilhados por anjos, parecem continuar a transportar o nosso espírito para uma outra dimensão, apaziguando, ainda que por breves momentos, o bulício destes tempos modernos…
É esse o poder da música o de desenhar com traço indelével o silêncio da alma…



Não conhecia a lenda. Mas já vi a harpa ao vivo. Recomendo vivamente a visita a esta biblioteca em Dublin. É uma forma de sentir um pouco da mística desse país maravilhoso.