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Infecção ou AVC, eis a questão!

  • luaemp
  • 13 de fev. de 2024
  • 3 min de leitura

(Imagem retirada de Alison hunter therapy)



Ser ou não ser… uma infecção urinária ou um AVC? Eis a questão! Shakespeare que me perdoe, mas este é o dilema que assombra muitos cuidadores pois, assim como os personagens das suas tragédias, os sintomas dessas condições de saúde podem lançar uma sombra de incerteza sobre aqueles que cuidam. Enquanto Hamlet ponderava sobre os tormentos da existência, os cuidadores vêem-se confrontados com a angústia de distinguir entre os sinais de uma infecção urinária e os indícios de um AVC. Mas, ao contrário do drama shakespeariano, a vida real exige respostas rápidas e decisões assertivas para garantir o bem-estar dos clientes. 


Ocorreu-me por isso, assim num repente, aflorar este tema que persegue qualquer cuidador, especialmente o de idosos.


É sem dúvida um tema de suma importância, anuirão vocês! Eu acrescento: importante e, muitas vezes, confuso, dada a estranha semelhança entre os sintomas entre uma infecção urinária e um AVC.

Pasmados? Provavelmente, muitos de vós estarão.  Mas a ideia é que deixem de estar. 


Primeiramente, é crucial compreender que uma infecção urinária e um AVC são condições totalmente diferentes. No entanto, em alguns casos, os sintomas podem ser incrivelmente semelhantes, o que pode levar a confusões.


Senão vejamos: tanto as infecções urinárias quanto os AVCs podem apresentar sintomas como confusão mental, agitação, dificuldade em falar ou compreender (afasia), fraqueza súbita, dificuldade em caminhar, descoordenação motora (membros inferiores e/ou superiores) e mesmo perda de equilíbrio. Essa semelhança nos sinais pode dificultar a identificação precisa da condição, exigindo uma avaliação médica minuciosa.


Por que raio é que isto acontece?


Bem, os sintomas de infecções urinárias e AVCs podem ser semelhantes por várias razões:


  1. Envolvimento do sistema nervoso central: Tanto as infecções urinárias quanto os AVCs podem afectar o sistema nervoso central, levando aos sintomas mencionados anteriormente. Estes podem resultar de danos directos ao cérebro ou de efeitos sistémicos (isto é, que afectam todo o corpo) da infecção ou do AVC. Ou seja, os sintomas podem ser consequência tanto da lesão localizada no cérebro como das alterações no funcionamento do corpo como um todo, decorrentes da infecção ou do AVC.

  2. Resposta inflamatória: Ambas as condições desencadeiam uma resposta inflamatória no corpo, que pode levar aos sintomas mencionados. Mais ou menos como se emitissem um tipo de 'sinal de alerta' no corpo, desencadeando uma espécie de batalha interna contra os 'vilões', como bactérias ou coágulos.

  3. Comorbidades: como sabemos, os idosos frequentemente têm várias condições médicas ao mesmo tempo, o que pode complicar a apresentação dos sintomas. Por exemplo, um idoso com diabetes ou hipertensão arterial pode estar em maior risco de desenvolver tanto infecções urinárias quanto AVCs, e os sintomas dessas condições podem sobrepor-se.

  4. Factores de risco semelhantes: Alguns factores de risco para infecções urinárias, como idade avançada, diabetes e imobilidade, também são factores de risco para AVCs. Isso pode contribuir para a ocorrência de sintomas semelhantes em ambas as condições.


Enquanto cuidadores, temos que estar atentos aos sinais de alerta. Observar qualquer mudança repentina no comportamento do idoso, como: confusão mental ou desorientação, dificuldade em falar ou compreender, fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade em caminhar ou desequilíbrio, alterações na frequência urinária ou na cor da urina.

Além disso, estar atento a qualquer mudança repentina na condição física do idoso, como: fraqueza súbita ou perda de força em um lado do corpo, dificuldade em se levantar ou em movimentar-se, alterações na postura ou na marcha, sensação de tontura ou desequilíbrio ao ficar de pé, dor persistente em qualquer parte do corpo.


Podem sempre ter em casa, pedindo ao GP ou mandando comprar, tiras ou varetas de teste de urina (urine test strip ou dipstick ). O diagnóstico é dado em cinco minutos. Se estão a pensar que não sabem “ler” o resultado, basta comparar as cores da tira com as da embalagem. Se preferirem, tirem foto e enviem para o GP ou enfermeira. 


Sem entrarem em pânico, avaliem a gravidade dos sintomas: se os sintomas não forem tão graves, podem ligar para o GP (médico de família) para obter orientações. O GP poderá fornecer conselhos sobre o próximo passo a tomar, que pode incluir ir imediatamente ao hospital ou agendar uma consulta.

Se os sintomas forem graves e apresentarem risco de vida, como fraqueza súbita em um lado do corpo ou dificuldade grave em falar, é melhor ligar imediatamente para o serviço de emergência (na Irlanda 999 ou 112) e, de forma clara e precisa, comunicar prontamente essas observações pois elas são fundamentais para um diagnóstico adequado.

Lembrem-se: em caso de não saberem o que fazer é sempre melhor pecar por excesso de zelo do que por omissão. A segurança do cliente está em primeiro lugar.




 

 
 
 

2 comentários

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Silvia Cristina
Silvia Cristina
13 de fev. de 2024
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Muito esclarecedor!

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luaemp
13 de fev. de 2024
Respondendo a

Grata. Para ti não é novidade 😉


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