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O amor à Pátria é como o do casamento...

  • luaemp
  • 6 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

Consigo ouvir daqui as vossas mentes a pensar: "ai não sei, Portugal é a minha pátria" ou "amo Portugal este país à beira-mar plantado" — bem, a Irlanda é um país plantado no mar, lembrem-se que é uma ilha, o que pode ser um bom contra-argumento. Ou ainda: "Portugal é o meu ninho; a família e amigos é aqui que estão " bla, bla, bla…

Poderia dizer apenas: tretas! Mas não sou assim tão cruel…

É verdade. Cinquenta e muitos anos depois, chego à conclusão que Pátria, apesar de ter como definição o lugar onde alguém nasce, não sugere um amor filial, como seria suposto, mas antes um amor conjugal.

Proponho-vos, portanto, uma analogia com o casamento (ou relação)...


Qual frase da rainha Santa Isabel, todo o casamento começa com a soberba sensação do: "são rosas, senhor, são rosas…" Bem, não vou teorizar sobre o quão errado é começar um casamento com mentiras, porque, como sabem, vai-se a ver, vai-se a ver, e afinal o que a Belita levava no regaço era pão (ou moedas, para os puristas)… Mas podemos continuar com este "milagre", porque, a maioria das vezes, é o que acontece nos casamentos: as "rosas" transformam-se em pão… Açorda, pão que o diabo amassou, simplesmente recesso e sem sal (há para todos os gostos) ... Um desentendimento aqui, um mal entendido além, muita falta de comunicação, incapacidade de ouvir o outro, enfim. Diz-se então que o amor acabou, pelo menos para um dos lados. Eu não acredito. Amor que é amor dura para a eternidade. Prefiro dizer que se transforma noutra coisa… Alguma coisa bonita fica em nós, com maior ou menor grau de intensidade desse "amor" — nem que seja no canto mais recôndito da memória… Aquele que revisitamos com menos frequência …

É o mesmo, grosso modo, com o amor à Pátria… Quando nos cansamos de lutar por uma vida digna, quando gritamos para que os governantes nos ouçam e mudem políticas, quando reparamos que ninguém nos escuta e nos sentimos amarfanhados numa vidinha medíocre, a alternativa é fazer a mala, sair de "casa"... e recomeçar…

A menos que nutram, é claro, um gosto particular pelo masoquismo, (não faz o meu género, mas nada contra quando é livremente consentido) ou pelo popularmente denominado "quanto mais me bates mais gosto de ti"... Mas isso, bem, isso já não é amor, é burrice…


"E rosas viu El-Rei* não sendo tempo delas" (assim reza a lenda)...



*D. Dinis (que era o marido da Belita…)




 
 
 

6 comentários

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Silvia Cristina
Silvia Cristina
08 de out. de 2023

E eu ainda me surpreendo com as tuas analogias e "doçura " na defesa dos argumentos

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luaemp
08 de out. de 2023
Respondendo a

😉 goza as férias mulher bonita!

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psimargaridadias
06 de out. de 2023
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

A nossa pátria, para fazer-se amar, deve ser amável.


Edmund Burke

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luaemp
07 de out. de 2023
Respondendo a

Precisamente!

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Luís Mota
Luís Mota
06 de out. de 2023
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Adorei este texto...

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luaemp
06 de out. de 2023
Respondendo a

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