top of page

Osteoporose / Osteoporosis

  • luaemp
  • 7 de set. de 2025
  • 7 min de leitura

(Followed by the English version)


Não é difícil perceber por que é que a osteoporose é uma preocupação crescente na Irlanda, afectando um número significativo de pessoas e representando um desafio para o sistema de saúde. A doença resulta de uma combinação complexa de factores, entre os quais se inclui também uma predisposição genética: sabe-se que a densidade mineral óssea tem uma componente hereditária significativa e que ter familiares próximos com osteoporose aumenta o risco individual de a desenvolver.


O clima predominantemente nublado e chuvoso, aliado ao estilo de vida moderno que limita a exposição solar, contribui para uma deficiência generalizada de vitamina D, essencial para a saúde óssea, pois ajuda o corpo a absorver o cálcio, fundamental na prevenção e tratamento da osteoporose. Além disso, o envelhecimento da população e factores como sedentarismo e alimentação pouco adequada reforçam ainda mais este desafio.


Vamos só dizer que, na Irlanda, a osteoporose não é actualmente considerada uma prioridade de saúde pública e não se fazem rastreios, embora muitos investigadores e clínicos defendam, há décadas, a criação de um programa nacional de cuidados com a osteoporose para melhorar a detecção precoce e o tratamento da doença. Não que Portugal tenha um programa nacional, mas existem rastreios, muitas vezes gratuitos, promovidos por diversas instituições, nomeadamente pela Associação Portuguesa de Osteoporose (APO). Essa diferença de abordagem pode explicar porque é que os números portugueses são mais precisos e, no papel, mais elevados do que na Irlanda, onde é provável que a incidência real seja superior à registada oficialmente.

Ao que parece, apesar de beneficiar de maior exposição solar e de uma dieta mediterrânea — rica em produtos frescos, peixe e laticínios, que ajudam a proteger a densidade óssea — Portugal apresenta, assim, uma taxa de casos superior à irlandesa. 

O principal motivo apontado é o acentuado envelhecimento da população portuguesa.


De acordo com o Hospital Professional News (2024), estima-se que mais de 300.000 pessoas na Irlanda sofram de osteoporose, caracterizada pela redução da densidade óssea e pelo enfraquecimento da sua estrutura, aumentando o risco de fracturas. Esta doença é muitas vezes apelidada de “doença silenciosa”, pois nas fases iniciais não dá sinais visíveis, sendo frequentemente diagnosticada só após uma fractura ocorrer. No entanto, à medida que progride, podem surgir sinais subtis, como dores nas costas, perda gradual de estatura ou postura curvada, geralmente devido a microfracturas vertebrais.


Entre a densidade óssea normal e a osteoporose existe a osteopenia, uma fase intermédia em que a perda de massa óssea já é detectável, mas ainda não atinge o grau de fragilidade da osteoporose. Ambas podem ser identificadas através da densitometria óssea, um exame simples, rápido e indolor que mede a densidade mineral dos ossos e permite actuar mais cedo para prevenir complicações. Sabe-se também que a osteoporose afecta predominantemente mulheres, especialmente após a menopausa, devido à redução dos níveis de estrogénio, tornando a prevenção e o cuidado ainda mais essenciais para este grupo.

Para além do impacto pessoal, a osteoporose representa um peso económico significativo para o sistema de saúde — seja o irlandês ou qualquer outro — devido aos custos associados ao tratamento das fracturas e à reabilitação dos pacientes. As fracturas osteoporóticas podem resultar em mobilidade reduzida, perda de autonomia e, em casos mais graves, internamento prolongado, o que evidencia a importância de um diagnóstico precoce e de intervenções eficazes.

Neste contexto, o papel dos cuidadores torna-se essencial na vigilância e apoio contínuo às pessoas com osteoporose. Para além de acompanharem as recomendações médicas, é importante que incentivem hábitos que promovam a saúde óssea, como uma alimentação equilibrada, rica em cálcio e vitamina D. O cálcio, fundamental para a formação e manutenção dos ossos, encontra-se em abundância em laticínios como leite, queijo e iogurte, mas também em vegetais verdes escuros, como couve e brócolos. Já a vitamina D, essencial para que o corpo absorva o cálcio, está presente sobretudo em alimentos de origem animal, com destaque para os peixes gordos — como salmão, sardinha, cavala, peixe-espada e arenque —, ovos e fígado. Algumas variedades de cogumelos também fornecem vitamina D, mas numa forma menos eficaz. A exposição solar moderada é outra via importante para a obter, embora seja um desafio na Irlanda devido ao clima. Em alguns casos, os suplementos podem ser necessários, sempre sob orientação médica. Além disso, é crucial incentivar a prática regular de exercícios adaptados que fortaleçam os músculos e melhorem o equilíbrio, reduzindo o risco de quedas.

Pequenas mudanças no quotidiano podem fazer toda a diferença: garantir boa iluminação, eliminar tapetes soltos, usar calçado adequado e evitar obstáculos são medidas simples, mas eficazes, para reduzir o risco de acidentes. Incentivar pequenas caminhadas, jardinagem ou simplesmente ler ou tricotar no jardim, onde se pode aproveitar o sol — mesmo que seja pouco —, são pequenas coisas ao alcance de qualquer cuidador. 

Actividades como dançar suavemente, subir escadas ou marchar no lugar ajudam a manter a densidade óssea sem sobrecarregar as articulações. Exercícios de resistência, como treino com elásticos, pesos leves ou mesmo garrafas de água, fortalecem os músculos que suportam a estrutura óssea.


Já os exercícios de equilíbrio e flexibilidade, como Tai Chi, yoga adaptado ou alongamentos, reduzem o risco de quedas e melhoram a postura.


É fundamental não esquecer o apoio emocional e o estímulo à adesão a tratamentos e programas de reabilitação,  fundamentais para melhorar a qualidade de vida daqueles sob os nossos cuidados.


Com uma abordagem integrada e informada — holística como está na moda chamar —, é possível enfrentar este desafio de forma mais eficaz, reduzindo o impacto da osteoporose na população irlandesa e proporcionando uma melhor assistência aos que vivem com esta condição.




English Version 


It is not difficult to understand why osteoporosis is a growing concern in Ireland, affecting a significant number of people and representing a challenge for the healthcare system. The disease results from a complex combination of factors, which also includes a genetic predisposition: bone mineral density is known to have a significant hereditary component, and having close relatives with osteoporosis increases an individual’s risk of developing the condition.


The predominantly cloudy and rainy climate, combined with a modern lifestyle that limits sun exposure, contributes to a widespread and significant vitamin D deficiency, which is essential for bone health as it helps the body absorb calcium, a key element in preventing and managing osteoporosis. In addition, the ageing population and factors such as a sedentary lifestyle and poor diet further exacerbate this challenge.


Let’s just say that, in Ireland, osteoporosis is not currently considered a public health priority, and there is no routine screening, even though many researchers and clinicians have been advocating for decades the creation of a national osteoporosis care programme to improve early detection and treatment. Not that Portugal has a national programme either, but screenings do exist, often free of charge, promoted by various organisations, notably the Portuguese Osteoporosis Association (APO). This difference in approach may explain why the Portuguese figures are more accurate and, on paper, higher than those in Ireland, where the true incidence is likely greater than officially recorded.


It seems that, despite benefiting from more sun exposure and a Mediterranean diet — rich in fresh produce, fish, and dairy, which help protect bone density — Portugal actually shows a higher case rate than Ireland. The main reason cited is the the significantly ageing population in Portugal.


According to Hospital Professional News (2024), it is estimated that over 300,000 people in Ireland suffer from osteoporosis, which is characterised by reduced bone density and weakening of bone structure, increasing the risk of fractures. This condition is often called the “silent disease,” as it shows no visible signs in its early stages and is frequently only diagnosed after a fracture occurs. However, as it progresses, subtle signs may appear, such as back pain, gradual loss of height, or a stooped posture, usually due to vertebral microfractures.


Between normal bone density and osteoporosis lies osteopenia, an intermediate stage where bone loss is already detectable but has not yet reached the fragility of osteoporosis. Both conditions can be identified through a bone densitometry scan — dual-energy X-ray absorptiometry (DEXA) scan —, a simple, quick, and painless test that measures bone mineral density and allows for earlier intervention to prevent complications. Osteoporosis is also known to predominantly affect women, especially after menopause, due to reduced oestrogen levels, making prevention and care particularly important for this group.

Beyond its personal impact, osteoporosis represents a significant economic burden on the healthcare system — whether in Ireland or elsewhere — due to the costs associated with fracture treatment and patient rehabilitation. Osteoporotic fractures can lead to reduced mobility, loss of independence, and, in more severe cases, prolonged hospital stays, highlighting the importance of early diagnosis and effective interventions.


In this context, the role of caregivers becomes essential in the ongoing monitoring and support of people with osteoporosis. Beyond following medical advice, it is important that they encourage habits that promote bone health, such as a balanced diet rich in calcium and vitamin D. Calcium, crucial for the formation and maintenance of bones, is abundant in dairy products like milk, cheese, and yoghurt, as well as in dark green vegetables such as kale and broccoli. Vitamin D, essential for the body to absorb calcium, is mainly found in animal-based foods, particularly oily fish such as salmon, sardines, mackerel, swordfish, and herring, as well as eggs and liver. Some types of mushrooms also provide vitamin D, although in a less effective form. Moderate sun exposure is another important source, though this can be challenging in Ireland due to the climate. In some cases, supplements may be necessary, always under medical supervision. Additionally, it is crucial to encourage regular exercise tailored to strengthen muscles and improve balance, thereby reducing the risk of falls.


Small changes in daily routines can make a big difference: ensuring good lighting, removing loose rugs, wearing appropriate footwear, and avoiding obstacles are simple yet effective measures to reduce the risk of accidents. Encouraging short walks, gardening, or simply reading or knitting in the garden, where one can catch some sun — even if only a little — are small, practical actions that any caregiver can implement.


Activities such as gentle dancing, climbing stairs, or marching on the spot help maintain bone density without overloading the joints. Resistance exercises, like training with bands, light weights, or even water bottles, strengthen the muscles that support the skeletal structure.



Balance and flexibility exercises, such as Tai Chi, adapted yoga, or stretching, help reduce the risk of falls and improve posture.


It is essential not to forget the importance of emotional support and encouraging adherence to treatments and rehabilitation programmes, which are crucial for improving the quality of life of those in our care.


With an informed, integrated approach — holistic, as the term goes — it is possible to tackle this challenge more effectively, reducing the impact of osteoporosis on the Irish population and providing better care for those living with the condition.

 
 
 

2 comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Silvia Cristina
Silvia Cristina
12 de set. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

É de facto um inimigo silencioso!

Curtir
luaemp
12 de set. de 2025
Respondendo a

Pois sim... cá estamos nós para ajudar 😉

Curtir
Post: Blog2_Post
  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn

©2023 por Irlanda: cuidando dos cuidadores e outras coisas que me passam pela cabeça.... Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page