St. Brigit: A Luz da Esperança
- luaemp
- 29 de jan. de 2024
- 3 min de leitura
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(Imagem retirada de Rare Irish Stuff)
Ora, ora… Pensavam que eu tinha desistido do blog?
Não, não… Fiz apenas uma pausa, até porque ainda estou de férias…
Hoje, e porque não podia deixar em branco o importante feriado que se aproxima, venho falar-vos de St. Brigit, também conhecida como Brigid (a deusa celta que marca a transição sazonal do Inverno, da escuridão, para a Primavera, da luz, da fertilidade) que é uma figura venerada na tradição irlandesa, uma luz que atravessa séculos de história.
Em abono da verdade, a deusa Brigid, adorada como uma divindade associada a vários aspectos da vida, incluindo a cura, a poesia, a forja e a transição sazonal, tem as suas origens na mitologia celta e existia muito antes do surgimento de St. Brigit, cuja origem data do século V. Como sabemos, e tenho-o repetido aqui no blog, a chegada do Cristianismo traz sempre uma tendência, eu diria mesmo necessidade, de sincretismo, isto é, de um sistema onde elementos das crenças (neste caso celtas), sejam incorporados às práticas cristãs. Assim sendo, St. Brigit foi associada à deusa Brigid, tornando-se uma figura importante e uma das santas padroeiras, juntamente com S. Patrick, na tradição cristã irlandesa.
Sta. Brígida ou Brígida de Kildare, conhecida na Irlanda como Naomh Bhríde, é celebrada no 1° de Fevereiro, que no calendário celta coincide com o festival do Imbolc. Esta celebração ancestral, não marca apenas o início da Primavera, mas simboliza a renovação da Natureza e da esperança. St. Brigit personifica esse renascimento.
E nesta altura perguntam vocês: “porque é que é conhecida como Brígida de Kildare?”
Respondo:
Porque fundou vários mosteiros, nomeadamente o duplo mosteiro de Kildare, uma experiência pioneira (?), que recebia tanto monges como freiras, um dos mais prestigiados da Irlanda e famoso em toda a Europa, conhecido pela sua escola, hospedaria e oficina artesanal.
A actual Catedral de Kildare, County Meath, teve origem na igreja original do Mosteiro. Digo-vos que não será um passeio perdido se a quiserem ir visitar e perceber a sua história, as diversas reconstruções e acrescentos.
Talvez de todas as histórias e lendas que se pode ler acerca desta Santa, escolho uma, até para saberem da simbologia que está por detrás da “Cruz de Brígida”, vendida hoje, em forma de colares, anéis etc.
Conta-se que estando sentada junto à cama de um pagão moribundo, Brígida consolou o homem com histórias de Deus, nomeadamente a história do sofrimento de Cristo morrendo na cruz, e que, improvisando, ela usou as palhas que se encontravam no chão para tecer uma cruz.
Um segredo não confirmado mas que faz sentido: há quem afirme que Sta. Brígida é a Santa dos Cuidadores, pela sua bondade e cuidados aos pobres e doentes, ou como disse acima, em associação à deusa Brigid, ao poder da cura.
Sendo ou não a padroeira dos Cuidadores, realço que a luz da esperança que Santa Brígida trouxe à história irlandesa ainda brilha nos corações daqueles dedicados à nobre tarefa de cuidar. Assim como as palhas tecidas por suas mãos formaram a Cruz de Brígida, o legado dela continua a entrelaçar-se nas vidas dos cuidadores, tornando-a uma guia eterna para os que oferecem compaixão e cuidados aos que necessitam.
Se, como eu, preferirem a versão menos cristianizada da “coisa”, o sentido poético da luz mantém-se. Não esqueçam que a deusa Brigid celebra a transição dos dias escuros do Inverno para a luminosidade dos dias primaveris, representando não apenas a renovação na natureza, mas também a cura ou os cuidados para o alívio do sofrimento.
Desejo-vos um óptimo feriado e que ele seja uma celebração do serviço dedicado dos cuidadores, inspirados pelo exemplo luminoso destas duas figuras.





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