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Tradições pascais irlandesas...

  • luaemp
  • 29 de mar. de 2024
  • 5 min de leitura

(Imagem retirada de National Geographic)


E eis que estamos quase na Páscoa…

A verdade é que, por todo o lado, a Páscoa é vista como um período de renascimento e renovação… Na Ilha Esmeralda não podia deixar de ser diferente, embora com as suas tradições próprias. 


Os ovos mágicos e a “caça ao tesouro”, são uma delas. A tradição de esconder e encontrar ovos de chocolate envoltos em papéis coloridos é uma aventura cheia de magia e emoção. Os ovos, escondidos em jardins “encantados” e bosques misteriosos, criam uma caça ao tesouro que é diversão garantida para toda a família.


Também se podem entreter, geralmente em áreas rurais, a fazer rolar ovos cozidos em encostas ou pequenas colinas numa corrida para determinar um vencedor. É apenas um jogo simples e divertido para passar o tempo antes ou depois do tradicional almoço de Páscoa. Esses ovos cozidos, são geralmente decorados a preceito, adicionando uma dose extra de criatividade e diversão à tradição.


Outra são os famosos piqueniques no meio da natureza exuberante da Irlanda. Muitas famílias optam por fazer os seus piqueniques em colinas, como Tara ou Knocknarea, onde lendas antigas se misturam com a brisa fresca ( e “botem” fresco nisso) da primavera, proporcionando um ambiente prazeiroso e descontraído, para quem gosta de aventura…


Os que não são tão afoitos, um passeio ao ar livre, caminhadas em parques naturais ou zonas costeiras, são aventura suficiente para desfrutar da beleza da natureza e passar tempo de qualidade juntos. 


Os “Hot Cross Buns” são uma parte essencial da Páscoa na Irlanda, com uma história rica e cheia de simbolismo. 

São pãezinhos levemente adocicados, geralmente feitos com massa fermentada, passas ou frutas cristalizadas e especiarias como canela, noz-moscada e cravo. Reconhecidos por terem uma cruz feita com glacê ou massa de farinha na parte superior, o que dá origem ao seu nome. Diz quem sabe que eles remontam ao século XII, quando um monge os cozendo em homenagem à Sexta-feira Santa. Bem mais tarde, no século XVI, a Rainha Elizabeth I decretou que os “buns” só poderiam ser consumidos na Sexta-feira Santa, no Natal ou em funerais, o que acrescentou ainda mais significado a essa iguaria tradicional.

Actualmente, os “Hot Cross Buns" continuam a ser apreciados como uma delícia tradicional da Páscoa em muitos países, incluindo a Irlanda, e são frequentemente servidos quentes, com manteiga, para acompanhar chá ou café.

(Imagem retirada de NYT Cooking) 


Na mesa da Páscoa, o cordeiro assado é, como em muitos outros países, um prato tradicional que carrega um profundo significado simbólico. Além de ser uma iguaria deliciosa, o cordeiro representa o sacrifício de Cristo e a redenção da humanidade, tornando-se um elemento essencial das refeições festivas da Páscoa na Irlanda.

Tradicionalmente é assado e servido com vegetais da época, puré de batata ou batata cozida.


(Imagem retirada de Irish Central)


O bolo de Páscoa, conhecido como "Simnel Cake", é uma sobremesa tradicionalmente associada à Páscoa que tem a sua origem na Inglaterra.

A sua história remonta ao século XVI, durante o reinado do Rei Henrique II. Acredita-se que o bolo tenha as suas origens numa tradição de mães e filhas que faziam um bolo especial para presentear as mães no “Domingo de Laetare”, o quarto domingo da Quaresma.

A palavra "simnel" provavelmente deriva de "simila", um termo latino para farinha de trigo fina usada para fazer o bolo. Originalmente, o Simnel Cake era um bolo simples de frutas mas, com o tempo, ele evoluiu para a versão que conhecemos hoje, com uma camada de maçapão no meio e outra por cima, decorada com 11 bolas de maçapão para representar os apóstolos, excluindo Judas.

Uma lenda popular associada ao “Simnel Cake” envolve um casal chamado Simon e Nell e conta que, Nell teria feito o bolo para presentear a sua mãe no Dia das Mães, mas acidentalmente deixou-o cozer demais. Simon terá sugerido que ela cobrisse o bolo com uma camada de maçapão para disfarçar a queimadura, o que resultou num bolo delicioso e muito apreciado pela mãe de Nell.

Sabe-se ainda que durante o reinado da Rainha Elizabeth I, em 1592, foi decretado que o "Simnel Cake" só poderia ser consumido na Páscoa ou no Dia das Mães, o que adicionou ainda mais significado à sua associação com estas ocasiões festivas.

(Imagem retirada da Wikipedia)


Num resumo básico, ficam outras tradições:

Na semana imediatamente antes:


  • Limpar a casa completamente

  • Comprar roupas novas para o Domingo de Páscoa

  • Jejuar na Sexta-feira Santa (good Friday)

  • Cortar o cabelo para prevenir dores de cabeça

  • Visitar poços sagrados e cemitérios. A água recolhida dos poços sagrados tem propriedades curativas na Sexta-feira Santa.

  • Plantar sementes para abençoar as colheitas.

  • Marcar todos os ovos de galinha postos na Sexta-feira Santa com uma cruz; cada membro da família come um no Domingo de Páscoa.


Sábado de Páscoa

  • Benção da água sagrada. Beber 3 goles para dar boa sorte e espalhar a sorte por tudo.

  • Trazer cinzas da lareira para serem abençoadas.


Domingo de Páscoa

  • Assistir ao nascer do sol do topo de uma colina. Esta é uma tradição católica semelhante à ressurreição do Salvador de sua sepultura.

  • Celebrar, colorindo ou dando ovos como um símbolo de vida.

  • Em algumas áreas rurais, as famílias têm corridas de ovos

  • Nas aldeias, as pessoas vestiam-se/vestem-se com trapos coloridos e vão de casa em casa dançando e cantando, exigindo ovos de Páscoa.

  •  Almoço de Páscoa em família.


Podemos ver muitos pontos convergentes na forma como a Irlanda comemora a Páscoa. Mas, há um que historicamente é único… É que foi na Páscoa de 1916, que os rebeldes irlandeses, entre eles Michael Collins, Padraig Pearse, James Connolly, se insurgiram contra a subjugação do domínio britânico. Esse conflito sangrento, conhecido como a Revolta da Páscoa, prolongou-se por alguns dias de devastação, tendo sido rapidamente suprimido pelas forças britânicas. Há quem afirme que foi um incontornável contributo para a independência da Irlanda já que desde essa data houve uma subsequente escalada de conflitos e agitações políticas na Irlanda, culminando na Guerra da Independência Irlandesa (1919-1921).

É este acontecimento que se lembra em todos os domingos de Páscoa onde ocorrem, por todo o país, inúmeras homenagens a estes heróis que lutaram pelos seus ideais.

(Imagem retirada de History)


E pronto, não se esqueçam que é “bank holiday”, o que significa que segunda-feira continuam os festejos em que, geralmente se aproveita, para se ir ver corridas de cavalos (são loucos por elas!) ou para visitar pequenas feiras de artesanato.

Para os cuidadores que estejam a trabalhar não se esqueçam de verificar no vosso “payslip” se este dia vos é pago à taxa devida (a dobrar)! 😉

Tenham todos uma excelente Páscoa!

 
 
 

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